When somebody complains about lack of memory, all I do is smile and mentally check one more time how being human is so much about forgetting.

We’re all second readers of ourselves in time
And editors of an incomplete and unfinished book.

Sometimes like an almost empty pen
Coming and going in the same line of a letter
Trying to fix its unwritten parts

Or passing over the same place
(Until to rip the paper in some cases…)
Trying to cover, to erase
A word, a sentence or more.

Living it’s all about
“I don’t remember”.

Yet or again.

Giro de Noticias

A polícia Rodoviária
Não registra acidentes
Nas estradas do estado
Nesse momento.

Não há nenhum vôo cancelado
Em nossos aeroportos essa manhã.

O custo de vida caiu
Na capital em quatro por cento.

Estamos presumidamente mortos,
Mas tudo anda bem.

Em caso de persistência dos sintomas
Um médico deverá ser consultado.

Sobre como é difícil a coautoria para publicações literárias de qualidade

Sinto saudades dos momentos
Em que nos arrogávamos;
Originais inacabados
Predicando um na língua do outro.
Éramos início e fim de nossas frases,
Capítulo atrás de capítulo em
Todas as posições.

Só que tudo se foi.
O Livro da Vida assim nos escreveu.
Acabou e só,
Com tudo Lido.

Eu, por parágrafos descontínuos,
Veranicos desinspirados, erro,
Visto que não posso mais
Me querer entre tuas crônicas, nem
Aplaudir teus intertextos carregados de fúria,
Ou te ver colocar para fora, ávida de letras,
Minha inspiração.

Você escolheu preencher um formulário.
Certo, lógico e seguro.
Mas, recôndita e pseudônima, ainda
Escreve a papel carbono para o meu eu-lírico,
Nas páginas úmidas de seu sujeito mais oculto,
Um saudoso subtexto em suas masturbações
Deliciosamente Literárias.

As fotos da festa ficaram otimas

“O que o tempo fez conosco?
O que eu deixei para trás?”
“O que o tempo faz conosco?
O que eu não deixei pra trás?”

“Onde está aquele olhar desafiador,
Aquela ânsia de morder o pescoço do mundo?”

“E de onde veio esse sorriso que se dobra nas pontas
Como se estivesse arqueando, pesado, esforçoso?”

“Ah, mas eram tempos difíceis e eles passaram…
Por que, então, não sou feliz (no) agora?”

“Seria aquele tempo, ali nas fotos,
Os melhores minutos, segundos de minha vida?”

“Onde estão todos?”
“Eu podia ter ido…”

“Será que eu já fiz meu melhor?
Já fui meu melhor?
Já vivi meu melhor?”

Não há hoje ainda tantas ranhuras no rosto…
Mas elas virão. Virão?

Pergunto pois, se hoje, ainda próximo
Dessas fotos (mais próximo que amanhã),
Não me reconheço,
Estarei aqui para não me reconhecer ainda mais
No futuro? Nesse passado de um futuro possível?

Somos todos fogos de artifício na noite do tempo.
Brilho efêmero, barulho,
E no fim, o cheiro da pólvora. E fotografias.

Burning People

Olha, provavelmente precisa de revisão, mas eu vou deixar aqui assim mesmo. E foda-se.

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Touchable-untouchable,
Sometimes I burn people and
They die.

Death by burn on fire, on cold,
On booze (it counts like chemical burning I guess), on shame,
But always burned. Never by boiling.

Does it seem cheesy if I say that
Sometimes I burn other person in love?
That “Elvis-said” love..?

People to ashes. Heart to dust.

And it hurts. People keep moving,
Hydrated,
Bruised, but never burnt.

So if you can, stand a continent away
From me. For me. For you.

Or jump in this Hell-of-a-Life
And burn with myself, inside and around myself.

Become that Supernova. That one, here.
Reborn in its own near-death, shining,
On the limit of a glimpse
Before it fades away and consume everything around you.

A black hole’s memory of past intensities.

A memory of a black hole of intensities pasts.

Final de Ano, Epoca de Renovacao

Na maior parte das vezes
Sinto paz ao ver a desgraça das multidões
E seu comportamento errante, mecânico,
Mercante e errônea em suas compras e compensações,
Na polifonia do absurdo das cidades modernas.

Mas algo que me garante essa paz,
Que me leva a um lugar maior e além dessa paz pragmática,
É ficar bem perto dessa estranha coreografia.
Eu parado.
Sentindo as vibrações das coisas e das pessoas.

Nessas horas em que me realizo,
Imaginando tudo aquilo sendo varrido de uma vez
Por uma bomba atômica ou algo do gênero,
Dilacerando e carbonizando tudo,
Obliterando todos os resquícios de nós, predadores de realidade.

Primeiro o clarão e vai-se a carne, as folhas,
Depois os ossos incandescentes,
Ferros retorcidos, derretimentos e pó…
Não sobra nada, só o silêncio – ignorado Deus do prazer –
Sábio. Infinito, sem limites, eterno.

Quando tudo o que sobra de mim é
Uma sombra, uma hachura no que era uma calçada,
Parte de desolação redentora do fim,
Sorrio vazio de volta à plenitude do imediato ser,
Ironicamente melhor, uno.

Grito, não sou ouvido e sigo em frente.

Breves consideracoes sobre esterilidade forçada ou quando a Lira te fode.

Todos os dias eu penso em escrever algo

Mas seus fins-recomeços são óbvias constatações de minhas mãos vazias.
Nada.
São tantas as considerações de meus caminhos mancos
E tantas contas, e ressacas e gentes e sei lá mais o quê,
E eu sou só um, praticamente um só num universo
De coisas que são minhas a partir, mediante e através de mim,
E de todas elas – as coisas – mais são as que mais me despossuem
Do que é meu, de fato.
O lance é que se não estou escrevendo-escrevendo,
Em algum outro lugar estão lá as palavras, os versos.
Onde então?
Estão?
Quem me enconta nos meus gestos vê que não me caibo
E por isso, inscrevo, marco o que vem pela frente
Na falta de tempo e papéis,
E fica tudo aí, vivido.

Vivo. Lido.

 

Strength in the Absence

Closing doors
Putting bars
And some nails.
Hanged by the neck
By its own fails

Strength in the absence
Abandoning the flesh
Covering the mirrors
And keep a rest to the soul

Inside the shell
Prays the crab
Waiting death.
Under the weight of the sea
Forsaking the path

Strength in the absence
Abandoning the flesh
Covering the mirrors
And keep a rest to the soul

Picking a blanket
For a good night
Of murder.
And when comes the sleep
It’s all over.

Strength in the absence
Abandoning the flesh
Covering the mirrors
And keep a rest to the soul

Exactly like
Somebody mocked
While laughing.

Now will be a truth, and earth
And ashes, and dust
And a memory of nothing.

Consigo

Já carreguei armas e algumas mágoas
Pessoas e outras terras, oceanos de lágrimas
Em livros, lavras, pedras, moedas, migalhas
Que ficaram em minhas mãos,
Minhas palmas. Alma carregada.
Cicatrizes. Lugar onde não há novidade alguma.

Penso no que carrego ao pé do ouvido,
No peso das vozes, escombros,
Memórias, histórias nos ombros.
Carregadas nuvens, tempestades
Nos guarda-chuvas que não carreguei, mas guardei.

“Sou intenso e velho, apenas isso”, penso.

Na mesma gaveta da estante do instante
Da morte que ainda não me carrega.
Guardei a culpa e o perdão. Não são coisas minhas.
Um dia farei essa entrega. Carga. Carregado-carregando.
Me cabe apenas viver nessa difícil dignidade.

De cadente estrela. Brilha apaga. Mostra e esconde.

 

Bom,
Hoje eu carrego
Um sorriso.
Que por ser seu, me faz infinito.
Leve. Leve consigo.

Tudo muda tudo. E isso basta.