Um menino observando seu gato deitado, cheio de reflexos involuntários, movimentos rápidos de retina, dormindo, pergunta pra mãe: “Ele sonha, mamãe?”. “Sim, meu filho, ele sonha”. “E gato sonha com o quê?” E justamente nessa hora a cena acaba, desfaz-se por completo. É um outro lugar agora. Porque o gato acordou.

P.

“Existem coisas que guardo para mim…”

Existem coisas que guardo para mim
Existem coisas que não conto a ninguém,
Eu as guardo para mim.
Eu as salvo do mundo,
As transformo em nós e laçadas
Na medida em que teço o véu da memória
Às vezes eu faço diamantes com elas…
Existem outras coisas também,
Outras minhas,
Essas são poesias.

P.