Assombro

“Você está morto, cara… não sente mais nada, parece.”, eu ouvi outro dia.
E não consigo sofrer por isso, infelizmente.

Você vai, dá-me as costas enquanto tento saber como foi o seu dia.
Ou diz não ao meu sorriso de manhã.
Ou não me deixa em silêncio, quando preciso (todos precisam)
Ou finge não ser um problema seu o que hoje é um problema meu…

Aí eu pergunto: Isso importa?
Importa se eu estou vivo? Ou se tenho algo a viver, ou vivido?
Diga-me, então: Vivo ou morto (essa pergunta é importante!)?

Não nos tocamos mais, não nos falamos mais, não nos sentimos mais.

E o fantasma, sou eu.
Então assombro.

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