Fruto da Estação, Passageiro.

Ainda não se fez perceber
Nas ruas, nem nos lugares,
Mas em mim já Outono.

Sépia, lilás e cinza,
Entrego os últimos frutos
Da energia que o Sol do Verão emprestara a mim.

De meus pesamentos castanhos,
Caem as folhas.Não muitas;
Solitariamente amadureço
O fim.

Árvore de raízes expostas,
Resiliente ao quebrar o concreto do chão
De uma grande cidade.
Atenho-me a mim contra o vento.

Do que senti, nada devo ao Mundo,
Exceto invernar, que pagarei em silêncio.

Pela primeira vez encaro mais rupturas que permanências,
Contudo tronco. Às vezes galhos.

Confesso que até às vezes já sonho o beijo (perfumado e ruivo) da vida, em
Outra Primavera.

Mas as estações não estacionam; chegam e hão de chegar. Vão.
Sou apenas mais um trem, vago…vagões carregados, caldeira quente.
Certeiro, nos trilhos(? Precisa de trilhos? Para quê? Para quem trilho?), faço mais
Uma curva.
Mudamos a paisagem e eu.

Prosseguimos em outro tom. Outono.

Deixa o tempo

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