Final de Ano, Epoca de Renovacao

Na maior parte das vezes
Sinto paz ao ver a desgraça das multidões
E seu comportamento errante, mecânico,
Mercante e errônea em suas compras e compensações,
Na polifonia do absurdo das cidades modernas.

Mas algo que me garante essa paz,
Que me leva a um lugar maior e além dessa paz pragmática,
É ficar bem perto dessa estranha coreografia.
Eu parado.
Sentindo as vibrações das coisas e das pessoas.

Nessas horas em que me realizo,
Imaginando tudo aquilo sendo varrido de uma vez
Por uma bomba atômica ou algo do gênero,
Dilacerando e carbonizando tudo,
Obliterando todos os resquícios de nós, predadores de realidade.

Primeiro o clarão e vai-se a carne, as folhas,
Depois os ossos incandescentes,
Ferros retorcidos, derretimentos e pó…
Não sobra nada, só o silêncio – ignorado Deus do prazer –
Sábio. Infinito, sem limites, eterno.

Quando tudo o que sobra de mim é
Uma sombra, uma hachura no que era uma calçada,
Parte de desolação redentora do fim,
Sorrio vazio de volta à plenitude do imediato ser,
Ironicamente melhor, uno.

Grito, não sou ouvido e sigo em frente.