Consigo

Já carreguei armas e algumas mágoas
Pessoas e outras terras, oceanos de lágrimas
Em livros, lavras, pedras, moedas, migalhas
Que ficaram em minhas mãos,
Minhas palmas. Alma carregada.
Cicatrizes. Lugar onde não há novidade alguma.

Penso no que carrego ao pé do ouvido,
No peso das vozes, escombros,
Memórias, histórias nos ombros.
Carregadas nuvens, tempestades
Nos guarda-chuvas que não carreguei, mas guardei.

“Sou intenso e velho, apenas isso”, penso.

Na mesma gaveta da estante do instante
Da morte que ainda não me carrega.
Guardei a culpa e o perdão. Não são coisas minhas.
Um dia farei essa entrega. Carga. Carregado-carregando.
Me cabe apenas viver nessa difícil dignidade.

De cadente estrela. Brilha apaga. Mostra e esconde.

 

Bom,
Hoje eu carrego
Um sorriso.
Que por ser seu, me faz infinito.
Leve. Leve consigo.

Tudo muda tudo. E isso basta.