Arames

 
A chuva nas manhãs de uma Segunda-feira ordinária e urbana,
Muda,
Transforma as auroras no sorriso amarelo
Da rotina, do café solitário e sonolento,
E daquela sensação melancólica que o barulho do trânsito
É causa e consequência.

Muito nos diz esse tipo de manhã.
Na verdade não muito, mas duas coisas principalmente:

Que se isso não se aplica a você, não te afeta,
Não te tem,
Sua felicidade já se foi há tempos,
Você já faz parte da matéria-prima do concreto cinza dos prédios,
Dos arames dos guarda-chuvas,
Ou das borrachas das rodas dos ônibus.
E você já era, cara.

Ou então você está amando,
E aí nesse caso sinta a manhã desamarradamente
Porque é inegável, inalienável, esse direito de ir para o mundo como
Se estivesse começando a história de um personagem de um filme policial.

É possível que você esteja chapado também,
Mas aí vale meio que as duas coisas;
Depende. Mas não deixa de ser isso aí.