Como todos sabem, Marechal Olívio não tem um, mas sim dois times de futebol. O mais antigo é o XV de Marechal Olívio que será melhor documentado posteriormente. O segundo, mas recente, é a Ferroviária Olivariana – mais conhecido como “Avante” e sua história de sua fundação é muito interessante.

Na década de 60, a cidade passou por um surto tardio de desenvolvimentismo que culminou com a chegada das estradas asfaltadas e o paulatino abandono do uso da linha férrea no caminho até a Capital. Com isso, as instalações antes utilizadas pela Companhia Administradora dos Trens foram igualmente deixadas de lado e uma dessas instalações era a área de manobra da composição principal, próxima à casinha do fiscal de linha e as instalações sanitárias dos funcionários.

Nessa época, Augusto Comte era o responsável pela manutenção da propriedade da empresa. Ex-maquinista, conseguiu estudar e arranjou uma colocação como responsável pelo trecho “Capital-Marechal Olívio”.  Sempre que dava a partida numa nova viagem, Comte gritava “Avante!” ao sentir os primeiros movimentos da máquina. Quando perguntado do porquê disso, sempre respondia que era por conta da ideia de progresso que sempre via numa partida de trem. “Sempre em frente, com ordem, amor e progresso”, era a frase. O amor, obviamente era o amor à profissão – essa coisa para ele linda, que era levar pessoas, nesse gigante tecnológico do século XIX. E quando se deu conta da certeza da “morte” do objeto de seu amor, tratou logo de transformá-lo, de mantê-lo de alguma forma funcionando.

E foi assim que Augusto Comte pediu à Companhia Administradora que, no período de desativação do trecho da linha férrea, pudesse ficar ali na área de manobra junto à casinha do fiscal e dos banheiros, treinar um time amador de futebol que levaria o nema de “Ferroviária”. No início a equipe era composta pelo quadro de recém desempregados da Companhia, que antes de se tornarem jogadores, foram jardineiros, pedreiros (na transformação das instalações em vestiário) e marceneiros das primeiras arquibancadas. Mas com o passar do tempo o time evoluiu e se tornou uma potência do futebol local, chegando inclusive a ser patrocinado pela própria Companhia Administradora dos Trens. O “Campo da Linha” (como ficara conhecido, depois de arrendado junto a empresa) lotava para ver o “Time do Avante”. E desse apelido surgiu o grito de guerra que arrasta multidões até hoje.