E por que tão só,
Se ao mesmo tempo tão vivo,
logo sem sentido?

***
Ou por que tão vivo
Sendo tão sem sentido o
Ser-estar sozinho?

***
Num lado da estrada,
Vivo e nada mais do que isso,
À beira de um abraço.

***
Na direção oposta
Faço outro caminho, na
companhia da morte.

***
Escolha difícil
Nessas minhas mãos, contramãos
De incertezas vias…

***
E parado fico;
Espero afago ou coragem,
O que vier primeiro.

Comentario sobre a estase e as curvas dinamicas das manifestacoes quanticamente expressivas acerca da natureza dos corpos em leve gravitacao auratica inseridas no contexto da pluralidade semantica do ego e sua retroalimentacao cognitiva na relacao com o ontos ah, e por ai vai…

Ai, o cansaço.
A verdade, senhoras e senhores,
Reside completamente no cansaço.

Não me aguento mais a rasgar
As folhas e os envelopes dessas
Cartas de amor que nunca coloquei envio.

Escrevi, mas não mandei;
Estava cansado de vê-las se perderem,
Mudas. Inócuas. Inúteis. Cansadas.

Ofegantes como esta ortografia, estamos
As cartas, os rasgos e eu. Cansamos.
Essa é a verdade, senhoras e senhores…

Cansado desse peso texturado
Do tempo – passado, presente e futuro –
Do mormaço do erro e de suas aparições tediosas.

Das voltas, de dar voltas e voltas,
Das luzes e dos carrosséis.
Cansado e em vertigem. Enjoado.

Farto de me reinventar nessa náusea
Sem ver a menor novidade
Nessas novidades tão cansativas…

Nada de novo no front
De frente a TV, nada além de nada de mais
E isso não me entretém, só me cansa.

E assim são os bares, e os outros lugares,
Cansativas paisagens, blaseagens
Poses, sorrisos, bobagens…

Cansa se o telefone toca, cansa se ele não toca.
E cansa o silêncio, o barulho e o sussurro
O pleno, o vazio e todas as suas interseções.

Eu cansei de mim, senhoras e senhores,
Cansei de viver e estou cansado demais
Para fazer algo a respeito. Cansei de morrer também.

A verdade não dói, a verdade cansa,
Depois dói até cansar, até se cansar.
E aí? Bem, e aí nada.