Às vezes é necessário se deixar levar
Pelo que não se procura,
Pelo que não se vê,
Como o cheiro da chuva que ainda
Não veio, não chegou, não chorou, mas
Está lá – na nuvem pesada e escura
Por detrás dos mares de morros – escondida,
E que vem pra beijar você
Repleta de violência e surpresa e raios.

É como cair. Caimos.
E de cair, cai a chuva.
Se entregar ao chão, à gravidade,
E se der, pirueta; e se for, pingo d’água.