“Olha, mãe, não fiz nada mesmo. Fazer pra errar não me liberaria da responsabilidade que tenho acerca da inexorável escolha de me dar mal na prova – assim como da outra escolha que fizera antes, a de não estudar para a mesma. Mas, o que é o fracasso, enfim, se não nós mesmos num confronto com as escolhas dos outros, esse inferno compulsório, mas belo?”

“Hum, sei… agora a professora é que tava de marcação com você, e por isso o zero… Tudo bem! A mim você convence direitinho, filhote… quero ver é se seu pai voltar do tal garimpo pra onde ele diz que foi e voce tiver que explicar que foi reprovado de novo por conta desse maldito vídeo game.”

“Ah, não, mãe…”

“Ah, sim…”

“Mãe..?”

“Oi…”

“A senhora sabe que o pai não volta, né? Se bobear, ele nem ta vivo, nem existe…”

“É… eu sei… homem não presta mesmo. Só você, filhote, só você…porque eu te crio direito.”

Trecho da conversa entre João Paulo, 11 anos, e sua mãe Simone, no caminho de volta pra casa vindo da escola, a E.E. Heráclito Moreira Paiva, na cidade de Marechal Olívio.