2012

Muito bem,

Mais um ano nessa morada. Mais uma vez, para mim, é tempo de agradecer a todas as pessoas que passaram por aqui. Independente do quando ou quantas vezes me visitaram, tais pessoas dedicaram partes de seus tempos (de suas vidas sob certo aspecto), aos meus textos e não há palavras que exprimam minha gratidão por tal dedicação.

Ano que vem, mais coisas. Tudo correndo bem, juntas e impressas (também). =)

Por enquanto é isso.

Feliz ano novo a todos.  Realizações e sucesso!

PS: Minha promessa de ano novo para 2011 eu cumpri (ela tá aqui no blog, inclusive)! Para esse ano novo, prometo que tentarei escrever mais prosa – atendendo a pedidos. 🙂

Carta para o Papai Noel

Daqui mesmo, 24 de Dezembro, o ano é o de menos.

Querido Papai Noel,

Eu não gosto do Natal; tenho meus motivos e não os exporei aqui – não interessa a ninguém, isso é um problema só meu e não o importunaria com ele. Mas do que eu não gosto e quero falar nessa carta é exatamente sobre o comportamento da maioria das pessoas nessa data, nessa época do ano. Assim sendo, decidi escrever na minha cartinha – a primeira e única que remeto ao senhor – a lista de presentes que eu realmente gostaria que as pessoas do mundo ganhassem. Se possível, atenda meu desejo.

Em primeiro lugar, àqueles que não são religiosos, gostaria que eles fossem presenteados com um pouco mais de bom senso, pois, durante todo ano são eles aqueles que reclamam de estarem sendo constantemente esculachados pelos coleguinhas religiosos, para agora destilarem todo um repertório de mágoas reprimidas na forma de piadinhas com ou sobre a religião alheia e a tal data comemorativa. Poxa Papai Noel, concordemos: num tempo onde temos discutido tanto sobre a importância do respeito à diversidade – seja ela qual for – fica muito “nada a ver” tanta antirreligiosidade por aí… e tem oura coisa, Já que a turma que fala “não” pra religião e para seus dogmas afirma tão categoricamente que são mais esclarecidos, que são mais livres e tem um senso crítico mais apurado, tava bom então começar a parar de se comportar como um adolescente que tá afim de incomodar a autoridade paterna, no intuito de chamar a tenção do pai. Tudo bem, a analogia foi infame. Desculpe-me Papai Noel.

Já para aqueles que são religiosos, dessas todas religiões que coincidem comemorativamente em alguma coisa qualquer nesse 25 de Dezembro, num sei, “parabéns!” já é um começo. Gostaria de pedir para eles um pouco mais de etiqueta. Apesar de entender que todas as religiões tem um caráter e uma natureza missionária, a vida em sociedade pressupõe que a gente aprende a ouvir “não” e tem que lidar com isso de uma forma tranquila. No fim das contas, dizer “não” para a religião e pra seus dogmas e suas datas comemorativas – seja ela qual for – é um problema que a pessoa que diz, em última instância, vai ter que resolver com é Deus (partindo do princípio de que Ele existe) e não com quem tá ouvindo, num é não? Então Papai Noel, quem chama o amigo não religioso para as celebrações não vai ser punido por Deus, pois fez sua; só tem mesmo é que aprender a falar “tudo bem, então. Qualquer coisa, estou aqui, celebrando…” quando ouvir – de forma igualmente educada, gentil e polida, o “não”.

Aos meus amigos Satanistas eu sou obrigado a pedir de presente um ombro amigo, porque afinal, hoje é o dia em que eles comemoram (oi?) o nascimento de um indivíduo (opa, o tal nascido não é tão individual assim, mas acho que deu pra entender…) que virá a ser o camisa 10 (ou 1…ou 3, não sei) do time que decreta o rebaixamento (tá bom, chega de piada infame) do time deles. Desculpem-me todos os satanistas, mas acho que hoje é dia de luto para vocês. Bom pelo menos é assim que eu vejo as coisas (não sou muito bom de religião), ok, Papai Noel? Não seja preconceituoso e por favor, abrace um Satanista hoje…por mim…

Para aqueles amigos que são religiosos, mas que não tem nada a ver com a data de hoje, bem, quero pedir um presente para eles: tranquilidade. Sabe por que? Porque eles ficam nervosos por serem um minoria em nossa sociedade e como minoria se sentem, às vezes, oprimidos pela falta de etiqueta e bom senso dos já citados acima;  mas acho que eles ficam mais nervosos ainda internamente, quando se sentem tentados a comprar um presentinho, ou a cantar um “Jingle Bells”… Eles merecem relaxar, Papai Noel. Deus é infinitamente bom em qualquer religião e ele não vai se importar se de repente um de seus seguidores participar do amigo oculto da empresa; mas em todas elas eles é também infinitamente justo, então, se essa mesma pessoa começar a desdenhar ou tripudiar da fé alheia, vão cair no mesmo problema de quem não é religioso e aí, uma vez sendo religiosos, dá problema.

Gostaria de pedir um presente adicional, que vale para todo mundo: que todos entendessem que desejar “Feliz Natal” não faz de alguém cristão ou o que quer que seja; apenas demonstra educação e que, independente de sua crença – se é que há alguma – esses votos significam que queremos ver outra(s) pessoa(as) bem e felizes e comemorando. Mas se incomodar demais, que as pessoas digam “Boas Festas”. Que todos aproveitem todas as promoções de compras que lhes derem vontade e que se presenteiem bastante, comam, bebam e pratiquem a caridade. Mas que não esperem as festas de fim de ano para fazerem isso, e sempre que o fizerem, que seja de coração.

Por fim, gostaria de pedir um presente para mim. Por favor Papai Noel, vai embora da minha cabeça, da minha realidade imediata. Não tenho certeza se o senhor existe e eu estou ficando preocupado – e preocupando meus amigos – por estar conversando contigo assim, de forma tão estreita, afirmando tal existência. Mas na dúvida, publicarei a carta. Nada pessoal.

Sou um bom garoto e me comportei bem o ano todo. Agora, bem perto do Natal, eu derramei Coca Cola na sala de jantar da casa da minha mãe e limpei tudo com a toalha da mesa, mas ela já me repreendeu e me desculpou, estamos bem. É só para constar.

Cordialmente,

Pedro.

Seguro o silêncio seguro.
Mãos nas grades dos ímpetos,
– estranho limite –
Ao mesmo tempo protegendo
E enjaulando. Envolvendo.

Prisão e refúgio onde
O teto é o medo,
E o chão é a sensatez;
Feito também de paredes
De um abraço vazio.

O soluço da dúvida,
Confidente e carcereira,
É como o som dos sinos
Nos campanários distantes,
Ou um assobio do vento;

Lembranças de um além de si
De uma liberdade e uma libertação
Enfim, de um perigoso quiça (ou porvir);
Onde, impunemente e condenados,
Grita-se agora esse crime, e outros…