Sonetos Morbidos III

Espírito amado, sátiro, venha…
A crueldade de tua beleza só não é mais mordaz
Que a verve de tua língua
E eu careço de ambas.

Algoz a musicar minhas exéquias
Enquanto encontro o sublime,
Na sevícia da caridade de tua presença
Em momentos de minhas febres, abstinências tuas.

Assim te domino.
Nessas minhas fraquezas, onde te vejo melhor,
Quanto mais entregue, mais se pertence e se tem…

Dolo por dentro e por fora dos seus prazeres,
Mas o real sofrimento é a distância.
E é então quando mais me amas – indo embora!