Felicidade é a tensão no arco das coisas.

Por isso horizontes,
E disparar-se em dardos
Com o vento a favor das birutas,
E de todas as birutices,
Dos sempresonhos.
Como o balanço do berço
Me acalanta as marés, mãos macias,
E embalado pela água,
Nado até as suas costas, suas ilhas,
Até sua boca e seus olhos verde-mares.
.
Na areia, você e o sol e as águas, e eu
Queimado pelas águas-vivas de uma vontade;
Cedendo à febre que são esses seus calores
Nos corais ao sul de mim, local de tua manhã
E de teu por-do-sol, à beira da praia.

Sonetos Morbidos II

Hoje vivo a febre
Dos animais que à beira da morte
Deliram e ferem a si mesmos;
Reviscero-me.
.
Dentro da cabeça, há moscas,
Dúvidas que se alimentam do pus
De minhas idéias, dos sonhos…
Certezas feridas.
.
Não sei se largada ou traída,
Nem se por mim, ou por todos,
Apenas sozinha, perdida, doente.
.
Venosas palavras, ferrosas, perfumadas,
Em tinta rubra, gritos,
Conflitos na carne e nos ossos. Pó-de-alma.

Quiromancia

Linhas das mãos,

Essas esquecidas pautas

Dos cadernos da vida que foi e que vai ser.

 

Nos seus entrementes

Estão nossos versos ditos e não ditos –

Malditos benditos.

 

Escrita que só a Cigana consegue entender,

Pra nos enganar,

E nos deixar ser o próprio texto.

 

Surpresa é saber

Que carregamos tudo

Nas palmas das mãos dos gestos

 

E que o futuro é somente

Uma frase a mais

Sobre um eu ainda não lido.