Nome

Como é o nome daquele brinquedo..? Que não tem um pano de fundo, nem tabuleiro, nem carteado, nem cenário. Nem pé, nem cabeça… mas ele tem umas coisas, uns bichos, uns lugares e umas pessoas… e que quando começa a brincadeira, o tal brinquedo se enche de mágica, e te conta uma história, e, meio nessa, meio dessa história (em diante), a gente reinventa a si mesmo, do início ao fim e de um lado pro outro? E a brincadeira nunca para, porque a gente nem sabe quando ela começou, ou mesmo quando terminou e recomeçou..? Então… esse brinquedo, como chama? E aí, para você, como chama?

Minha alma é beira-mar,
De pés na areia e paixões de marés.
Nas conchas das mãos guardo
O som do oceano e um certo sol
.
Refletido na água.
.
Amor de mar,
Saudades do sal
Com o peito repleto
De arrebentações.

Ventanias

O pior da timidez
São as queimaduras na retina
Pelas perversões provocadas
Na frente do monitor.

***
Meu medo do escuro
Só não é maior
Que o dos carinhos de quem me coloca
A chorar na janela, de luz apagada.

***
Naquela outra luz acesa
Está outra luz se apagando
Enquanto ascende o Sol.

***
A noite é muito longa
E eu assisto a te ver.
Não durmo até dormir.

***
Cortei com a navalha
A língua dos dias
E emudeci a aurora.
Acordei só.

***
O que não se vê
Nos mosaicos dos prédios,
Nas penumbras da horas,
Da noite pro dia?

Invasao

Nos becos desses tempos surdos
Eu contemplo as faces de mármore,
Pálidas, e de trincadas, sujas,
Sob a chuva de pedras que atiro
Em poemas.

Nessas intromissões, nesses atentados,
Pelas fissuras nas máscaras,
Escorre a gordura do medo
E um sangue sem vida;
Dói.

E de nada valem as grades
Nem nenhuma das vendas
Nos olhos desses corações
Que, sedados e encarcerados,
Pedem transplantes.

A poesia, essa violência,
Ela vem, chega e te tapa a boca,
Te bate e te arranca os panos,
Depois te toma de assalto
E te beija a alma, à força.

E continua, te invadindo, gozando (em) você ou não.