Sireniana

Gentileza fatal, palavra ferina,
Desenho de plumas em metal pesado,
Beleza e dor das arrebentações.

Olhos vazios e luminosos,
Espectro de um farol à beira-mar,
Desorientando, causando naufrágios,
Celebrando a satisfação de incertezas
Desse teu coração.

Mar abissal
Aonde jazem sonhos e outras almas
Que por uma jóia maldita
Outrora pensaram
‘Hei de afogar-me,
Essa é a sina de quem navega teu corpo,
Morro mas acredito em teu tesouro’.

Mesmo em silêncio, Sereia. E só.

Noticias

Bem, eu estava participando de um concurso de poesias pelo TWITTER.  Os dez melhores vão pra uma votação via Internet, com premiação em dinheiro pros três melhores. Os cem melhores serão publicados numa coletânea  que leva o nome do concurso e tals…

Eu fiquei entre os cem melhores! =P

Para quem se interessar em ver o meu texto e mais os outros 99:

http://www.imcbr.org.br/letterdigital_toc140.html

Abraços!

Tenho escrito umas inconsciências
Suores, excreções diversas, nojos
Estive terra e sangue prensado em feridas,
Aflições,
Palvras cáries,
E insônias de verbos.

Tenho escrito umas desconsciências
De unhas lascadas,
Ciscos nos olhos das letras.

Poesia pode ser metáfora ou metástase.

Outro dia eu vi
Um casal de velhos
Que talvez não exista mais…

De mãos dadas, os vi
Recobrirem-se de carinhos e memórias
Tão docemente quanto as rugas
Que ostentavam em seus rostos.
Eu vi seus lábios gastos beijarem-se com palavras
Eu vi seus olhos opacos
E vi que não me viam;
Só não vi a morte.

Se eles não existem mais
Não é porque morreram,
É porque se desfizeram
Para propagar generosidade e amor
Nos espaços vazios dos corações dos outros.

O amor não mata a morte,
A morte é o tempo.
Mas a morte não mata o amor.