Tão desamarrado, fico em aberto,
Abraço o mundo esperando aconchego
Que some
Pois está tudo dentro,
Esperando ser oferta
Aos brilhos de um olhar desperto.

Vestindo a fumaça dos espelhos que sorvera nessa vida
Coloquei todos os meus sonhos num cachimbo que fiz,
Em minhas próprias mãos,
E ticei-lhes o último corisco de vontade.

E de uma brasa de fogo pálido
Alimentei-me num fôlego.
Enquanto as cinzas choravam eu me desfazia,
Até que sobrei-me no resto dos meus pensamentos,
Carbonizado, preto e branco.

Nos dias que não me mato os sentidos,
Penso nas verdades recônditas no ódio,
Esse leite acre que, bem ou mal,
É óbvio.

Os ódios são os espelhos da alma.
O ódio é a vitória do Diabo,
E a beleza, sim, é um tipo de ódio.

Um menino observando seu gato deitado, cheio de reflexos involuntários, movimentos rápidos de retina, dormindo, pergunta pra mãe: “Ele sonha, mamãe?”. “Sim, meu filho, ele sonha”. “E gato sonha com o quê?” E justamente nessa hora a cena acaba, desfaz-se por completo. É um outro lugar agora. Porque o gato acordou.

P.