Assombro

“Você está morto, cara… não sente mais nada, parece.”, eu ouvi outro dia.
E não consigo sofrer por isso, infelizmente.

Você vai, dá-me as costas enquanto tento saber como foi o seu dia.
Ou diz não ao meu sorriso de manhã.
Ou não me deixa em silêncio, quando preciso (todos precisam)
Ou finge não ser um problema seu o que hoje é um problema meu…

Aí eu pergunto: Isso importa?
Importa se eu estou vivo? Ou se tenho algo a viver, ou vivido?
Diga-me, então: Vivo ou morto (essa pergunta é importante!)?

Não nos tocamos mais, não nos falamos mais, não nos sentimos mais.

E o fantasma, sou eu.
Então assombro.

SAIBA

SAIBA

Amo você e isso é pra sempre.

É como o som da música que tocou e
Agora faz parte de tudo o que o Universo
Propaga e ressoa (em silêncio) ao mesmo tempo em que acolhe.

Como se fosse o próprio tempo,
E suas transformações.
Como as nossas transformações ao longo do tempo.

Onde eu estou, se não aqui?
Onde sou, fora desse sentimento?

No amor não cabe desacontecimento.
E não há consciência de si fora dele.

Amo você e isso é pra sempre.

Sua Visita

Eu apenas repito o que a noite sussurra
Pra mim.
Eu reverbero a noite que habita
Em mim.
E te conto.

Eu te cravejo de estrelas e te coloco uma Lua no colo.
Eu te perfumo com Dama da Noite.
Eu te encho de sangue, de crimes, de te(n)são,
Eu te coloco tomando o Firmamento e
Eu te dou uma Aurora só para que você se vá na Luz.

Na companhia de Vênus e de Marte e do Sol,
Na mesma Luz que você engole quando quer retornar.

Eu apenas devolvo o que a noite entrega
Pra mim.
Eu reverbero esse breu da noite que habita
Em mim.
E te faço.

Parece ser tudo eu, que só tem eu. Mas é você.

Esse capítulo tava guardado há pelo menos uns dois anos.

Em Marechal Olívio vive Dolores, e ela é a “Louca da Cidade”. Dizem que ela ficou assim porque “matara” o pai, Seu Vladimir, que dela abusava quando mais nova. Foi-se o desgraçado para os Infernos de ataque cardíaco num desses momentos em que violentava a jovem Lola.

Ela, que sempre fora muito bonita quando jovem, hoje é uma mulher castigada pelo tempo, pela insanidade, pela vida. Quase não fala e quando o faz na maior parte das vezes é para chamar pela mãe, que morrera antes do pai. É dependente da caridade alheia, da Previdência Social e o Serviço de Saúde da Cidade. Não tem mais ninguém.

Dizem que Dolores não é violenta, portanto, deixam-na circular pela cidade. Mas a única coisa que ela faz é ficar durante todo o dia sentada na praça em frente ao sanatório, vestida como se vestia enquanto mais nova – vestido estampado, sapatinho “tipo de boneca”, meia três quartos; cabelo até os ombros, partido ao meio e trançado. E dessa indumentária ela não abre mão. Às vezes ela chora um choro muito sentido – novamente quando a lembrança da mãe vem à tona. Mas quando falam o nome do pai – seja para ela ou mesmo perto dela – D. Dolores sorri.

Sorri e se começa a se insinuar, para toda e qualquer pessoa, livremente, contagiando o ar da cidade com sua insanidade transformada em lascívia – cena essa de uma crueza e de uma crueldade chocantes. Depois, volta para seu universo onde alterna lágrimas e apatia. Age assim como se fizesse algo para matar novamente ou (manter bem mortas) as monstruosas e tristes memórias de juventude. Ou talvez para celebrar sua vitória. Ou por loucura somente. Vai saber…

Fruto da Estação, Passageiro.

Ainda não se fez perceber
Nas ruas, nem nos lugares,
Mas em mim já Outono.

Sépia, lilás e cinza,
Entrego os últimos frutos
Da energia que o Sol do Verão emprestara a mim.

De meus pesamentos castanhos,
Caem as folhas.Não muitas;
Solitariamente amadureço
O fim.

Árvore de raízes expostas,
Resiliente ao quebrar o concreto do chão
De uma grande cidade.
Atenho-me a mim contra o vento.

Do que senti, nada devo ao Mundo,
Exceto invernar, que pagarei em silêncio.

Pela primeira vez encaro mais rupturas que permanências,
Contudo tronco. Às vezes galhos.

Confesso que até às vezes já sonho o beijo (perfumado e ruivo) da vida, em
Outra Primavera.

Mas as estações não estacionam; chegam e hão de chegar. Vão.
Sou apenas mais um trem, vago…vagões carregados, caldeira quente.
Certeiro, nos trilhos(? Precisa de trilhos? Para quê? Para quem trilho?), faço mais
Uma curva.
Mudamos a paisagem e eu.

Prosseguimos em outro tom. Outono.

Deixa o tempo

.

Cumulonimbus

 

Are there really people that feel blue on cloudy days?
“Does rainy fall weather really affect your Mood?”

So, this feeling, this “I’m living like an old butcher, tired,
Enough of the smell of bloody meat,
But working, surrounded by pieces of fat and consumable death”
(is this) All about the weather?

Today I woke up like a pugilist, a boxer
Going to the 9th round.
Tired, exhausted of fighting –
Of punching another guy who’s
So much tougher and more obstinated than me.
“Should we ask for a draw?” I
Think while I dodge and hook his chin up with my fists.
And it is “because of the gray clouds, the cold breeze…perhaps it is the flu…”. OK

It is not because of life.

It is not because I miss myself
I once lost between some arms that will never embrace me again.
It is not because of my self-destructing binge drinking and
Meaningless sex life.
It is not because of my shit job that I will never quit because I’m a
Coward.
It is because of the rainy day.

Listen: the Cold, the Rain, The Hidden Sun and the humidity
Are the smallest problems we have these days.
They are our friends, actually.
This is life and it isn’t over until
I don’t know.
Come rain or come shine.

Rise up your guard
Cut the meat
But listen.

“Pequena Flor, tão Desdenhosa” – Poema da Segunda Geração do Romantismo Brasileiro, só que Meu (portanto de agora do século XXI, mesmo) Comentado.

Pequena Flor, tão desdenhosa,
Por que és tão fria ante meu amor?
Por que ignoras minha pessoa
E distas tanto de meu calor?

Pequena Flor, tão desdenhosa,
Não me respondes, disso bem sei!
Mas mesmo assim, te escrevo versos,
Versos que um dia pra ti lerei!

Pequena Flor, tão desdenhosa,
Lerei bem alto (por que não ler?):
Sua Narcisista, Filha da Puta,
Já encheu o saco, vai se foder!

FIM.

NOTA DO AUTOR: O poema está orientado para concordar em artigos femininos por conta do objeto – A (pequena) FLOR (tão desdenhosa). Fiquem à vontade para costurá-lo na boca do sapo emocional de seus mais profundos recalques independente do gênero do alvo da Feitiçaria (junto ao nome dx mesmx). Contanto que o faça quando sentir-se pronto para tal.

Grato, P.

Reading blogs about fashion. And the news.

A few days ago I read

The Living are only a species of dead”.

And how special we are.

All things end, all things will pass.

And in the meantime, we do strong and beautiful

And all sort of wonders and misunderstandings

Until the moment when we get back to the nothing we always are. Were. Be. 

Telling to the Uncreated – the Eternal whatever it may be – “we are here and we see you with no jealousy, no envy!”

Our finitude-infinitude makes us more than that who doesn’t ever go. 

Makes us unique. Like the last second.

So, let’s not waste ourselves away, Motherfuckers.

Na quadragésima página do meu
Livro dos sonhos está o
Seu nome

E no terceiro parágrafo do
Conto lá escrito
Eu vejo o Futuro

Que na linha final
Marca um ponto e
Não reticências

Pois que sonhos acabam e
Os meus são apenas
Ruínas.

Num livro que ninguém lê.
Sobre contos do pode ser (não, não pode!).
Em linhas cruéis, acabadas.

Mas que vivem, enquanto eu vivo.
À revelia do óbvio.
E é lá que você está.